Não. O visto B1/B2 é um visto de visita, e ele não dá direito a morar, trabalhar nem estudar nos Estados Unidos. Isso não quer dizer que a porta esteja fechada para sempre, mas é preciso entender o que ele permite antes de fazer qualquer plano.

O que o B1/B2 permite

O B1 é para negócios de curta duração: reuniões, congressos, negociar um contrato, resolver uma herança. O B2 é para turismo, visitar família e amigos, tratamento médico e cursos curtos de lazer, sem valer crédito de diploma. Em todos os casos a ideia é a mesma: você vem, faz o que veio fazer e volta para o Brasil.

O que ele não permite

O Departamento de Estado é direto: quem tem B1/B2 não pode trabalhar, não pode estudar em um curso regular e não pode morar nos EUA de forma permanente. Receber pagamento por serviço feito aqui, mesmo que seja "só um bico", é trabalho. Fazer entrevista de emprego e conhecer a cidade é uma coisa. Começar a trabalhar, outra bem diferente.

Trabalhar remotamente para uma empresa brasileira enquanto você está nos EUA é uma área cinzenta e depende do caso. Se esse é o seu plano, vale conversar com um advogado de imigração antes.

Quanto tempo posso ficar

O prazo não está no visto. Quem decide é o oficial da CBP (a fiscalização de fronteira) quando você entra, e ele registra a data limite no seu I-94, que é o registro eletrônico de entrada. É essa data que vale, mesmo que o visto seja válido por dez anos. Para o B2, o prazo costuma ser de até seis meses, mas pode ser menor.

Se precisar de mais tempo, o pedido de extensão deve ser feito ao USCIS, no formulário I-539, antes de o I-94 vencer. Ficar além da data deixa você fora de status, e a lei americana anula automaticamente o visto. Isso pode complicar muito os pedidos de visto no futuro.

Dá para trocar o B1/B2 por outro status?

Sim, em alguns casos. Se durante a visita você receber uma oferta de emprego, for aceita em uma escola ou casar com um cidadão americano, é possível pedir a mudança de status ao USCIS, também pelo I-539, ainda dentro do prazo da sua estadia. Mas existem três cuidados importantes:

  • Não comece a trabalhar nem a estudar antes de o USCIS aprovar. Antecipar-se pode fazer você perder o status.
  • Entrar como turista já com a decisão de ficar pode ser interpretado como declaração falsa na entrada. O visto de visita exige que você prove que pretende voltar ao Brasil.
  • Se você sair dos EUA depois da mudança, vai precisar de um visto novo da categoria nova, emitido em um consulado.

Então qual é o caminho para morar legalmente?

É preciso um status que permita a permanência: um visto de trabalho (como H-1B, L-1 ou O-1), um visto de estudante (F-1), um visto de investidor (E-2, para nacionalidades elegíveis) ou um green card, que pode vir por emprego, família ou outras categorias. Cada um tem requisitos próprios, e a escolha depende do seu perfil. Nos próximos artigos desta série eu comento alguns desses caminhos.

A conclusão prática é simples: use o B1/B2 para o que ele foi feito, que é visitar e fazer negócios curtos. Quem trata o visto de turista como uma passagem de ida para morar costuma terminar em situação irregular, e isso fecha portas em vez de abrir.

Uma novidade para quem planeja viajar: desde 2025 o Departamento de Estado exige uma caução (visa bond) de candidatos ao B-1/B-2 de alguns países. O valor é de US$ 10 mil, US$ 15 mil ou US$ 20 mil, definido pelo oficial consular na entrevista. Na lista oficial, atualizada em 2 de outubro de 2026, o Brasil não aparece. Como a lista muda, confirme no site do Departamento de Estado antes de pedir o visto.

Fontes