A lista de documentos que você vai precisar tirar depende de uma coisa: ter ou não autorização para trabalhar nos Estados Unidos. Quem chega com um visto de trabalho ou com green card consegue montar a vida em poucas semanas. Quem chega sem autorização encontra uma porta fechada atrás da outra, e este artigo mostra por quê.

Quem chega com status legal

Com um visto de trabalho (como H-1B, L-1 ou O-1) ou com um green card, a sequência costuma ser esta:

  • Guarde o passaporte, o visto e o I-94. O I-94 é o registro eletrônico da sua entrada, e é ele que mostra até quando você pode ficar. Você consegue consultar e imprimir no site da CBP.
  • Peça o Social Security Number (SSN). A Seguridade Social só emite o número para quem tem autorização de trabalho do governo americano. Com o SSN você é registrado como empregado, recebe salário, abre crédito e declara imposto.
  • Tire a carteira de motorista ou o ID do estado. Quem emite é o órgão de trânsito de cada estado (o DMV), e as regras mudam de um estado para outro. Em geral pedem passaporte, I-94, SSN e comprovante de endereço.
  • Abra uma conta em banco com passaporte, comprovante de endereço e SSN.
  • Avise o governo quando mudar de endereço. Quem não é cidadão deve comunicar a mudança ao USCIS em até 10 dias, pelo formulário AR-11. Esquecer isso pode dar multa e, em alguns casos, até motivo para deportação.
  • Carregue seu comprovante de status. Quem tem green card, com 18 anos ou mais, deve estar com o cartão sempre. Quem tem visto de trabalho deve levar o passaporte com o visto e o I-94.

Quem chega sem autorização

Aqui a realidade é bem diferente, e vale ser clara sobre ela.

Não existe SSN. A Seguridade Social só emite o número para quem tem autorização de trabalho. Sem ele, não há emprego formal, e muita coisa que parece simples (alugar um apartamento, abrir crédito, fazer um plano de celular) fica difícil.

O ITIN existe, mas é só para imposto. É o número que a Receita americana (IRS) emite para quem precisa declarar imposto e não pode ter um SSN, e o pedido é feito pelo formulário W-7. A própria Receita avisa o que ele não é: não dá autorização de trabalho, não muda nem cria status de imigração, não dá direito a benefícios da Seguridade Social e não serve como identidade fora do sistema de impostos. Também passou a pesar um fator novo: o IRS fez um acordo com o Departamento de Segurança Interna (DHS), do qual o ICE faz parte, para compartilhar endereços de contribuintes. Em 24 de fevereiro de 2026, o Tribunal de Apelações do Circuito de Washington (D.C.) manteve a decisão que negou, por enquanto, o pedido para barrar esse compartilhamento, e o processo continua (veja a decisão nas fontes no fim). Quem tem ITIN e dúvidas sobre declarar deve ouvir um advogado de imigração antes.

O trabalho é informal. É comum que quem está sem autorização acabe em limpeza residencial, obras e construção, restaurantes e cuidado de crianças e idosos. São trabalhos duros, pagos em dinheiro, quase sempre sem contrato, sem seguro de saúde e sem a quem recorrer se o patrão não pagar. Trabalhar sem autorização é uma violação das leis de imigração, e quem usa documento de outra pessoa ou documento falso para conseguir o emprego pode enfrentar problemas criminais, além de fechar portas para futuros pedidos de visto ou green card.

O tempo corre contra você. A lei americana prevê um impedimento de retorno de 3 anos para quem acumula mais de 180 dias de presença sem autorização e depois sai do país, e de 10 anos para quem acumula mais de um ano. Quanto mais tempo passa, mais difícil fica regularizar a situação depois.

As duas situações lado a lado

Com autorização de trabalhoSem autorização
Social Security NumberSimNão
ITINNormalmente não precisaSó para declarar imposto
Trabalho formal, com contratoSimNão
Carteira de motoristaSim, seguindo as regras do estadoDepende do estado
Conta em bancoSimDepende do banco
Caminho futuro para o green cardAbertoMuito limitado

O que eu recomendo

Se a ideia é morar nos EUA, o caminho legal pede mais tempo e planejamento no começo: procurar uma empresa que patrocine um visto, estudar, ou montar um perfil para uma categoria como a EB-2 NIW ou o O-1, que os próximos artigos explicam. Mas é o caminho que deixa você trabalhar, andar com documento no bolso e construir uma vida sem medo. O outro caminho costuma custar caro de maneiras que só aparecem depois da viagem.

Fontes